terça-feira, 15 de dezembro de 2015

CUNHA É ALVO MAIS VISTOSO, MAS AÇÃO DA PF MIRA TODO O PMDB

Cunha é alvo mais vistoso, mas ação da PF mira todo o PMDB


Pedro Ladeira/Folhapress
Agentes da PF fazem busca e apreensão na casa de Eduardo Cunha em Brasília em nova fase da Lava Jato


A operação da Polícia Federal na casa de Eduardo Cunha pode parecer um presente para a aniversariante da véspera, Dilma Rousseff, mas o escopo da etapa Catilinárias da Lava Jato atinge diversas alas do PMDB –contrárias e favoráveis ao impeachment da presidente. Os efeitos para a governabilidade do que sobrou da gestão da petista se insinuam graves. 

Alvo mais vistoso, o presidente da Câmara parece ter recebido um "tiro de advertência", jargão militar para o disparo que antecede o abate de uma aeronave hostil. É muito cedo para saber, mas se Cunha for culpado de tudo o que o acusam, dificilmente teria provas relevantes sob seu colchão; já um celular ou um tablet seu podem ter mensagens que interessem a um investigador. 

Seja como for, acordar com a PF em sua porta no dia decisivo para o rumo do processo de cassação de seu mandato no Conselho de Ética e na véspera de ver o rito do impeachment de DIlma sob sua batuta analisado no Supremo Tribunal Federal tem impacto simbólico enorme. 

Mas as boas notícias para o Planalto acabam aqui. A operação da PF vai muito além de Cunha. Dois ministros do partido são alvo de buscas, um aliado de Cunha (Henrique Eduardo Alves, Turismo) e outro, do Planalto (Celso Pansera, Ciência e Tecnologia). 

No caso de Alves, o tiro político acerta o vice-presidente Michel Temer, líder do PMDB em processo aberto de rompimento com Dilma. O ministro e Cunha estiveram na noite de segunda (14) com Temer, supostamente para reclamar das ações da presidente para tentar reconduzir Leonardo Picciani (RJ) à liderança do partido na Câmara. 

Aqui entra um complicador para quem busca roteiros fáceis. Pansera, alvo nesta manhã de terça (15), foi indicado justamente por Picciani, adversário visceral de Cunha no PMDB. Ou seja, sobrou para todo mundo na briga. 

RENAN CALHEIROS
 
Mais importante: uma série de nomes ligados ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também está no foco. A começar pelo deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), que se apresentava como seu preposto segundo as investigações da Lava Jato. 

Até aqui, Renan se vendia como aliado central contra o impeachment de Dilma. Sob fogo, é questionável se irá manter a mesma disposição, já que sempre fez coro a Cunha nas acusações de que a Procuradoria-Geral da República age seletivamente e sob influência do Planalto.

Os críticos dessa teoria conspiratória têm os fatos da segunda, com a denúncia do "primeiro-amigo" de Luiz Inácio Lula da Silva, para diluir a suspeita. 

Para aqueles que a partilham, um dado chama a atenção: desde que Temer escreveu a carta rompendo extraoficialmente com Dilma, a presidente ordenou uma ação para bombardear seu grupo no PMDB. Até a segunda, por exemplo, o Planalto tentava reverter a remoção de Picciani da liderança, manobra do vice e de Cunha. 

Enquanto os detalhes da ação da Lava Jato, que vinha sendo ventilada como impactante há semanas, são lentamente revelados, o clima em Brasília é de "barata-voa". Se os alvos no PMDB decidirem reagir, cada um à sua maneira e com seu interesse, o resultado é imprevisível.

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